Posts de Junho, 2007

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O Sorriso do Lagarto

Junho 22, 2007

Podem falar que eu sou louco, mas eu não sou. Várias e várias vezes eu já saquei que os lagartos tem uma coisa especial com eles.

 Aqui perto de casa tem uma praça onde todo mundo joga futebol. Ai tipo, um dia desses enquanto ninguém jogava eu fui sentar lá, fumar um cigarro sozinho, olhando pro sol se pôr, e quando menos espero, um esperto calanguinho pula na minha frente. E sei lá por que cargas d’água os lagartos se exibem pra mim. Pulam aqui e ali, balançam a cabecinha positivamente pra mim, e comem insetos como se pudessem entender meus pensamentos.

Um dia eu falei pelo pensamento pra esse lagarto da praça(que agora já é meu amigo), pra ele pegar aquele insetinho, aquele ali, específico. E ele pam, deu um super pulo e caiu em cima do inseto, deu nem tempo de voar. Já tinha engolido. O lagartinho é esperto, e entendeu minha mensagem.

Aqui nos fundos de casa também tem um. Quando ele me via saia correndo feito doido, se escondia atrás das telhas, nunca me dava idéia. Só que agora tá brother já. Hoje mesmo eu lá fora sentado pensando na vida, lá aparece ele, primeiro meio tímido, mas depois de certas conversas esclarecedoras de que eu sou um cara do bem, não quero o mal dele, e pá, ele já fica todo serelepe. E pula aqui, pula ali, come uma formiga aqui, um outro inseto ali. Tá virando brother também.

 É ótimo ter a compania dos lagartos por perto. E o melhor é que agora eu entendi o João Ubaldo Ribeiro no livro o Sorriso do Lagarto, no qual ele se diz absorto em pensamentos, quando olha pro muro lá está um lagartão imenso, verde, e pasmem. O lagarto parece ter entendido tudo que ele estava pensando, e sorriu. Sim, o lagarto sorriu para ele.

Tenho outras experiências com lagartos… Brazlândia na beira do lago por exemplo, tem vários, e eu já vi estripulias de vários lá. Eles são do bem, pode acreditar. Não precisa ter medo. Pode sentar e relaxar, com os lagartos que te rodeiam.

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O verme passeia na lua cheia

Junho 22, 2007

Eu tipo às vezes escuto uma música e parece que ela vai lá no fundo das minhas memórias, ou o que seja e me remetem uma infinidade de sensações diferentes e especiais. Secos e Molhados foi uma surpresa para mim quanto a isso. Os dois primeiros CDs, com o Ney Matogrosso participando dos vocais, é uma obra-prima. Cheio de psicodelia, barulhinhos bons de se escutar.

Fico aqui sentado viajando, e a noite sonho com as músicas.

 Vale a pena escutar…

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A hora da sesta

Junho 21, 2007

E depois de ter acostumado com o sol nascendo às 5 da madrugada, eu tô sentado aqui com o meu irmão na mesa almoçando, e puta-que-o-pariu, que vontade de tomar uma coca-cola. Você sabe que coca-cola faz mal, escurece os dentes, as pessoas usam pra desentupir pia, tem cocaína, e bla bla bla. Mas quando dá aquela vontade de tomar um refrigerante, e não pode ser outro, tem que ser coca, você para o almoço e corre pra padaria mais próxima. No calor então, só dá coca.

Quando eu me mudei pra cá, a gente decidiu escolher uma casa grande, espaçosa, que tivesse comércio perto, e olha só que beleza, achamos uma casa exatamente assim! Com farmácia na esquina, padaria na outra, barzinho pra comprar cigarro, locadora quase na porta. Uma vida de luxo levaríamos afinal.

Mas se fosse você morando aqui, e saisse na rua depois do meio dia para comprar uma coca, você saberia exatamente como me senti in this place. Padaria, fechada. Barzinho do cigarro, fechado. Quitanda que vende frutas, fechado. Farmácia, fechada. Salão de Beleza, fechado. Meu Deus!!! Que lugar é esse que tudo fecha meio dia?

Ai voltei pra casa arrasado, sem a coca, perdi até o apetite. A noite conversando com minha tia que já morava aqui, ela solta essa:

“Ah meu filho, liga não, é assim mesmo aqui. Tudo fecha meio-dia e abre duas da tarde. É a hora da sesta, cultura local mesmo. Afinal, o povo trabalha mas tem que descansar né?”

É tia, tudo bem. Tem que descansar mesmo. Tem que descansar é o caralho. Porra nenhuma, nunca vi farmácia fechar durante o dia, e muito menos bar. Cadê minha coca porra? Minha coca, minha coca, cadê?

Hj já estou acostumado. Se for rolar de tomar uma coca no almoço(Nem sempre tá rolando, estamos em tempos de vacas magras), vou lá antes de fechar, ou então me submeto a comprar mais a tardezinha, quando tudo abre novamente. Tô me acostumando, pouco a pouco. E ainda paguei uma geral pro dono do bar, falando que era um absurdo um boteco fechar durante o dia. E a padaria meu Deus? Depois eu falo da padaria, mas enfim, falei tudo, tudinho mesmo, por que afinal, sou cliente, tenho meus direitos!

Que o quê, o cara mal esperou eu falar e já estava baixando a porta do bar. Antes de sair, vi um leve bocejo se formando em sua face. Ele já ia dormir ali mesmo na minha frente se eu nãio saísse logo. Sai.

Que durma eternamente aquele, aquele…

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Pra onde tenha sol…

Junho 21, 2007

Toda vez que ouço essa música do Jota Quest “E se quiser saber pra onde eu vou, pra onde tenha sol, é pra lá que eu vou”, eu tenho urticária.

Que sol o que rapá, eu quero é frio, não tão frio a ponto da pessoa querer morrer quando pensa que vai sair de casa, mas assim, um friozinho básico, dia cinza, dá toda uma alegria colocar um casaco e sair por ai. A respiração fica melhor no frio. E parece que nos lugares onde o sol nasce às 5 da manhã, as pessoas o exaltam tanto, que chega a dar nojo. Vou explicar.

Aqui, se vc está numa balada, e sai na varanda da boite pra dar uma respirada às 4:30 da manhã, você fica pasmem. Tipo, 4:30 começa o céu a ficar azul, e 5 horas, meu Deus, lá está o sol, queimando nossas cucas. Não dá, não dá pra viver num lugar onde o sol nasce de noite. 5 da manhã é noite pra mim, sempre foi. O pior é que o sol se põe às 17 horas. Ou seja, 17:30, malhação rolando ainda, sessão da tarde mal finalizada, e cadê o sol? Já foi-se o sol. Isso às vezes me deixava meio desesperado, roendo as unhas, falando sozinho pelos cantos, foi difícil de acostumar, mas a minha amada mãezinha mandou pra mim de Brasília uma cortina cor de vinho, bem grossa, e eu coloquei na janela do meu quarto. Agora dá meio dia e eu lá no escuro, roncando. hehe!

 E por falar em Jota Quest, tenho ouvido coisas deles ultimamente que tem me parecido tanto umas com as outras. É como se você ouvisse a mesma melodia, a mesma voz do Rogério, as mesmas guitarrinhas, e só muda a letra. Bem, não mudam tanto. A maioria das letras tem sol, amor, alma, e essas coisinhas que convencem as pessoas de que elas tem a melhor vida do mundo. Acho que o Brasil atualmente vive a febre do “Jota Quest”. Credo! Ontem por exemplo eu estava num bar tomando uma gelada, pensando no tanto que o mundo tá pirado, conversando aquelas coisas que se conversa na mesa do bar e que nunca levam a lugar nenhum, e ói que o vocalista da banda do bar começa a falar: “Agora eu vou tocar uma música, à pedidos.” E começa o solozinho de guitarra, e lá vem choradeira. “Hey dor, eu não te escuto mais. Você não me leva a nada.” E meu Deus, todo mundo levantou das cadeiras, o bar parou, os garçons pararam, os bêbados se equilibraram, todo mundo faltou colocar a mão no peito e cantar junto o refrão: “… Pra onde tenha sol, é pra lá que eu vou.” ´Não dá minha gente, não dá. Eu adoro Jota Quest, acho o Rogério Flausino um amor, mas essas frasezinhas otimistas não estão pra mim. E ultimamente os JQuest tem feito só musicas assim. Se bem que quando eu paro pra pensar que outra música deles eu considere boa e não boba, só me vem aquela “fácil, extremamente fácil” na cabeça. Mas não, essa também é boba, Jota Quest deveria ganhar prêmio como banda otimista do ano, do século, do milênio.

Eu gosto do sol. Gosto da felicidade. Gosto de não sentir dor. Gosto, juro! Na verdade nem sei por que tô dizendo isso tudo. Deve ser por que tenho urticárias, e isso de alguma forma me incomoda.

 Mas fala ai, Jota Quest tá repetitivo ou não tá? Era muito mais legal na época de Na Moral, De Volta ao Planeta, e tal.

Enfim, dias melhores pra sempre virão por ai.

Melhores no amor, melhores na dor, melhores em tudo.

:p

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E a vida nova continua velhan.

Junho 21, 2007

Então não sei o que me deu na cabeça de querer vir morar aqui em Maceió. Acho que quando vim pra cá a primeira vez, fui iludido pelas luzes de natal. É sempre assim, vai pra São Paulo no natal, apaixona-se. Vai pra Barra do Garças, apaixona-se. Vai pra Maceió, mesma coisa. É o maldito fascínio que as luzes exercem sobre mim.

 Então entrei na cidade, e já de cara vejo aquele marzão de um lado, e do outro vários e vários prédios todos multicoloridos, piscando, anunciando o natal. Ahh, mas não teve jeito mesmo. Me apaixonei na hora pela cidade. E depois descer do carro, andar descalço na areia, ver o mar tão imponente e soturno. Um brasiliense, canela seca, diante do mar, perde a fala. E foi o que rolou comigo, naquele fatídico natal.

Então depois desse dia, tudo que eu comecei a organizar, tinha como plano de fundo o fato de vir morar em Maceió. Eu queria vir, eu precisava conhecer essa realidade. As aldeias de pescadores na beirado mar no litoral norte, aquele mar azulzinho e ondulante durante o dia, e escuro e bravio a noite. Porra, como eu já tinha 23 anos e ainda não vivi num lugar que tenha um mar na porta. Não que em Brasília eu tenha sido infeliz, mas mar é mar, todo mundo precisa ter um mar pra pelo menos olhar a noite, meditar ouvindo o barulho das ondas. Fiz o que fiz, e acabei vindo morar aqui.

 Mas e aquele sensação de coisa nova? Cadê?

Confesso que não gosto muito de tomar banho de mar. Aquela água salgada, não dá nem pra abrir os olhos dentro d’água, igual eu fazia nas cachoeiras de Pirinópolis. E o pior, cada onda minha gente, que te vira de cabeça pra baixo e te joga longe. É perigoso até quebrar as pernas numa dessas. Fora o sol que parece fuzilar a sua pele quando toca. Não, prefiro mar a noite, só pra olhar e meditar mesmo.

E agora tô aqui, vendo as mesmas coisas de sempre, as mesmas pessoas mesquinhas e ordinárias, as mesmas desigualdades, claro que numa ótica completamente diferente. Às vezes, eu paro pra pensar como é que pode, eu estar a 2000 quilometros da minha verdadeira casa, num lugar que as pessoas vão à praia nos finais de semana, num lugar que vocÊ pega um ônibus pra ir daqui até ali, e quando olha pro lado, ao invés das paisagens desérticas de Brasília, vê um mar cabuloso. É tudo muito novo, muito diferente, mas não sei se eu sou turrão, emburrado, do contra, ou como quiserem me tachar. Só sei que não me sinto em casa aqui, que a umidade do ar me faz mal(Juro! eu já tinha acostumado à seca) e que em breve estarei de volta ao lar.

 Acho que esses lugares assim, com coisas exóticas, e mares bravios, é legal só pra visitar. E eu já visitei, já achei legal, agora porra, quero voltar pra casaaaaaaaaaa!

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Um grande mentecapto…

Junho 21, 2007

 Como todos os outros que acham que tem alguma a coisa a dizer, e no final, acabam não dizendo nada.