Posts de Agosto, 2007

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Arteciopelados

Agosto 25, 2007

Um som assim:

…la vida es color de rosa, es color de rosa
y el cielo es azul, el espacio esta lleno de luz.

 E outro assim:

…Hay que estar en la jugada,
con la mente bien plantada
cuando llegue la calma,
poner en reposo el alma
enfocar el infinito, en este minutico…

 Fazem a minha cabeça. É uma pena vocês só poderem ouvir as letras mudas que ai estão, mas se tiverem oportunidade, e em breve terão, baixem essa banda, essas músicas doidas e diferentes de tudo que você já ouviu. Arteciopelados.  As músicas que eu citei são Luz Azul e Uno Lo Mio e Lo Tuyo.

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Macabéa(s)

Agosto 23, 2007

Às vezes é engraçado, estou andando de ônibus por essa Maceió de meu Deus, e entram e saem várias pessoas que tenho a nítida certeza de já ter visto antes. Mas não só visto, de passar os olhos sobre. Mas v er de conhecer mesmo, despir com os olhos, olhar por dentro. Me sinto tão intímo de algumas, tão chegado de alguns. Mas nunca os vi fisicamente. Nenhum deles. Todos anônimos para mim, e para o mundo. Então de onde vem essa sensação de “eu já conheço você”?

Pensando absortamente sobre isso, voltando pra casa num ônibus lotado de pessoas que também voltam pra casa, da praia, do churrasco, do domingo que acaba, cheguei na conclusão que foi Clarice uma das culpadas dessa sensação estranha. Sim, Clarice Lispector. Pra você entender, se é que já não entendeu, o livro “A Hora da Estrela”, me abriu na mente um horizonte tão largo e profundo, que não saiu até hoje das minha divagações, mesmo as inconscientes.

Macabéa é uma alagoana do fim do mundo, bem do fim mesmo, sertão de alagoas, que vai tentar a vida no Rio de Janeiro. Quem narra sua história é Rodrigo S. H., na verdade, Clarice Lispector sob pseudônimo. Macabéa sofre, come o pão que o diabo amassou, e sem manteiga, e todo dia. E é essa Macabéa, ao qual fiquei tão íntimo e pessoal, que me faz reconhece-la aqui, ali, e acolá, pelas ruas e centros da cidade de Alagoas. A cada canto, eu vejo uma Macabéa sofrida, sem perspectiva nenhuma de vida, com um olhar vagamente aleatório, que passeia longe, longe. Por São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília, onde a Tevê mostra que a vida é legal e divertida. As Macabéas do ônibus, várias, quase que me imploram para que eu as reconheça, e eu num sem-esforço qualquer, olho cada uma como irmãs, como se já soubesse toda a sua história de vida, toda a dor que carregam, toda frustração, os amores perdidos. Sim Macebéas de Alagoas. Eu as conheço, e as entendo. Quisera eu que vocês também me reconhecessem. Veriam o quanto sinto por sua vida triste, e  o quanto vocês poderiam sorrir para mim, deitar a cabeça no meu ombro, e chorar, sem pesos, por horas. Chorar as derrotas, os anseios, as alegrias. Sim, por que não alegrias também, já que a vida não é feita só de fel.

Mas vocês não me reconhecem. Passam por mim, vêem o meu olhar atento, que indaga uma atitude, e abaixam a cabeça. Pagam a passagem. Passam a roleta. Vão sentar lá atrás. Se é que conseguem sentar. E não se preocupam, eu sei que isso não faz diferença alguma para vocês. Sentar ou não sentar no ônibus. Sorrir ou não sorrir. Besteira qualquer… E o ônibus, a vida, e o tempo, não tardam jamais.

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Mundo Grande

Agosto 23, 2007

Poema de Carlos Drummond de Andrade, que eu ofereço ao meu amigo Rodrigo de Oliveira.

Não, meu coração não é maior que o mundo.
É muito menor.
Nele não cabem nem as minhas dores.
Por isso gosto tanto de me contar.
Por isso me dispo,
por isso me grito,
por isso frequento os jornais, me exponho
cruamente nas livrarias:preciso de todos.

Sim, meu coração é muito pequeno.
Só agora vejo que nele não cabem os homens.
Os homens estão cá fora, estão na rua.
A rua é enorme. Maior, muito maior do que eu esperava.
Mas também a rua não cabe todos os homens.
A rua é menor que o mundo.
O mundo é grande.

Tu sabes como é grande o mundo.
Conheces os navios que levam petróleo e livros,
carne e algodão.
Viste as diferentes cores dos homens,
as diferentes dores dos homens,
sabes como é difícil sofrer tudo isso, amontoar tudo isso
num só peito de homem… sem que ele estale.

Fecha os olhos e esquece.
Escuta a água nos vidros,
tão calma. Não anuncia nada.
Entretanto escorre nas mãos,
tão calma! Vai inundando tudo…

Renascerão as cidades submersas?
Os homens submersos-voltarão?
Meu coração não sabe.
Estúpido, ridículo e frágil é meu coração.

Só agora descubro
como é triste ignorar certas coisas.
(Na solidão de indivíduo
desaprendi a linguagem
com que homens se comunicam).

Outrora escutei os anjos,
as sonatas, os poemas, as confissões patéticas.
Nunca escutei voz de gente.
Em verdade sou muito pobre.

Outrora viajei
países imaginários, fáceis de habitar,
ilhas sem problemas, não obstante
exaustivas e convocando ao suicídio.

Meus amigos foram às ilhas.
Ilhas perdem o homem.
Entretanto alguns se salvaram e
trouxeram a notícia
que o mundo, o grande mundo está
crescendo todos os dias,
entre o fogo e o amor.

Então, meu coração também pode crescer.
Entre o amor e o fogo,
entre a vida e o fogo,
meu coração cresce dez metros e explode.
- ó, vida futura! Nós te criaremos.

Viajei nesse poema do Drummond, e de alguma forma ele me lembrou a simplicidade e a complexidade com que vivíamos por ai, a perambular e filosofar sobre a vida, o coração, as dores, e tudo o mais. Pra você Rodrigo, viajar também.

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Questões Profundas da Consciência Sub

Agosto 15, 2007

Quando eu converso com os lagartos, eu nunca sei se é uma conversa que está rolando, ou um monólogo. Sim, por que eu sei que o bichinho está ali, paradinho, demonstra não ter medo de mim, e sei que ele me entende. Mas eu não o entendo. De qualquer forma não era sobre isso que eu queria falar.

Eram sobre as questões profundas em que me pego diariamente. Não me limito a pensar rasamente, e vou o mais fundo que posso dentro dos meus pensamentos e desejos e razões, vou até me perder dentro de mim mesmo. Como eu sou grande, meu Deus!

Ontem mergulhando e flutuando nesse imenso oceano abstrato e estranhamente meu, passa por mim uma figura celestial, vestindo trajes celestiais, e brilhando como os seres celestiais devem brilhar. Olhando rapidamente ao redor, lá está. Flutuando comigo. Páro o olhar sobre esta figura, e tento decifra-la. Quem será? De onde veio? A qual casta celestial pertence? Será um anjo? Um arcanjo? Ou será um semi-Deus? Meu Deus! Antes que eu pudesse chegar a qualquer conclusão, a figura sumiu de dentro de mim. Senti que sempre fui dela, sempre pertenci a ela. Mas ela sumiu. Revirei cada canto escuro da consciência atrás do brilho, daquele brilho. Nada. SIlêncio, profunda escuridão. E uma falta que chega a doer fisicamente.

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Carcará

Agosto 7, 2007

Falta céu pra tanto urubu.

Valei-me!

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Dilemas da vida

Agosto 6, 2007

 Então minha mãe liga aqui em casa e diz que dia 31 de Agosto é minha colação de grau, e que eu obrigatoriamente terei que estar em Brasília nessa data. Tudo bem, até então, por que eu tava morrendo de saudade mesmo da capital da esperança, dos meus amigos, de tudo, caracaaaaa, meu cachorro lindo, será que ele ainda lembra de mim?

 Mas o problema é que minha mãe quer que eu fique aqui, quer que eu volte pra Brasília, já que lá tem emprego bom, e que aqui nesse Nordeste-de-meu-Deus eu tô perdendo meu tempo, que aqui não dá e pá.

 Eu até que queria ficar voltar pra Brasília, mas quando eu vou em lugares como o de ontem, conheço pessoas como as de ontem, vejo que ainda tenho muito o que aprender e conhecer aqui, e em outros lugares do mundo. Então eu tô voltando pra Brasília, mas não sei se volto pra cá pra linda Maceió, tão cheia de problemas e miséria.

Fico entre a cruz e a espada, por que aqui realmente tá foda de ficar, sem emprego, e tal. Mas se daqui pro dia 30 de Agosto eu arrumar alguma coisa por aqui, juro que vou arriscar mais um tempo aqui, e tal.

 Nem é por causa do mar nem nada, é pela cultura diferente que tô tendo oportunidade de conhecer, e que tô me amarrando por enquanto.

 Então é isso ai que tá rolando, pros desavisados se atualizarem.

Ah, ontem rolou um show de uma banda psicodélica daqui de Maceió chamada Mente Profana. Mermão, show! ShoW! SHOW!

Só isso que tenho a dizer.

Grande abraço em todos!

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Eu Simpsãos

Agosto 2, 2007

O que acham? Parecido ou não?

Eu Simpsãos

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Análise de Perfil I

Agosto 2, 2007

E pra completar, já não bastava todo o maldito EGOKUT ter aderido à moda Rastafariana, agora os mais novos adeptos da cultura e religião Rastafari, adeptos e veneradores de Bob Marley, colocam a palavra Jah no seu nome do perfil, como se pra afirmar mais que todo mundo que Jah é dele ora bolas, ou sei lá pra que. Nem tento entender esse povo. Pra você ficar atualizado, entra ai no perfil do senhor Jah Ricardo e vamos analisa-lo comigo, juntinhos, para que vc possa perceber do quão grave é isso que estou falando agora.

Começa pela maldição de colocar no nome do perfil Jah Ricardo. É um nome artístico, ou algo assim? Não! Me recuso a comentar sobre essa coisa do nome. Vamos pular para o Quem sou eu:

Calango do Cerrado, leão, Filho do Sol, Das Ondas do Mar, Servo da Mata Nativa!!!

Auto-afirmações vãs de que ele é um cara antenado nos problemas da natureza, um cara centrado, equilibrado, poderoso(leão), filhos das ondas do mar e servo da mata nativa.

Gente, vcs entendem como é grave isso?

E continuando, o maldito coloca:

“E tudo começou quando macaco preguiçoso desceu da árvore e falou : essa árvore é minha !!!!”

Ahn? O que vc quiz dizer com isso seu imbecil? E pra completar, depois de uma letra de música de algum cantor doidão de cogumelo, ele continua com as auto-afirmações:

Surfista Cósmico !!!! Viajante Galáctico!!!!

Espelho Elétrico Branco!!!!

Surfista-Cósmico, viajante Galáctico, vá lá, eu entendo. Mas Espelho Elétrico Branco? Puta-que-pariu mermão. Mais que provado que o imbecil não tem o que falar, quer dizer coisas bem psicodélicas, e não sabe, e diz qualquer merda. Mas eu tô sendo muito presunçoso de julgar assim o perfil do menino, tadinho né?

Tadinho é o caralho! Um cara que diz ter princípios Rastafari, que coloca no album dele, que é outra comédia à parte, que é um cara tranqüilo, da paz, e no perfil diz que bebe exageradamente. Eu fico pensando que graças a Jah! os Rastas de verdade não tem orkut, pra ver uma merda dessas que rola. E esse cara não está sozinho. Existem milhões e milhões de perfis mais ou menos com o mesmo perfil. Frases e fotos do Bob Marley, como se Bob fosse Deus, ou Jah!, tanta é a devoção. Frases de bandas de reggae roots, como ponto de equilíbrio. País, nêgo coloca Jamaica. Fotos do album, colocam cachoeiras, lindas paisagens, e geralmente, alguma foto tirada numa trance com os amigos, e escrito embaixo: Nós fritos na reive.

Tudo bem, vocês podem falar, quem me conhece claro, que eu tô falando isso, por que eu conheço gente que faz parte do movimento, e tô tomando as dores. Ou que eu tô falando isso, por que não tenho nada melhor pra fazer ou falar. Que seja! O fato é que os movimentos de hoje em dia estão todos mortos, parados. Entende? A galera levanta mó bandeira do Rastafari, do reggae, páááá, nóóóóó, curto reggae demais, minha religião é rastafari, e pouta que pariu, se vc perguntar quem foi Marcos Garvey nêgo não sabe. Nem têm idéia. Pergunta sobre a origem da religião, nada de saber. Pergunta qualquer coisa, simples, nada. Ou seja, tudo isso que eles falam ser, essa imagem toda, é só casca, o produto interno é podre e deplorável.

Eu vejo essa maldita geração que se forma, principalmente em Brasília, e fico realmente triste. Só espero que esses “fritos de Reive”, como eles mesmos dizem, fumem uma maconha natural, um camarãozão do tamanho de um dedo médio, e de repente percebam a piscina de merda podre em que eles nadam atualmente, onde a imagem que se cria e propaga é superior ao que vc aprende e conhece pronfudamente.

Essa turma rastafari do orkut, não tá com nada. Maconheiros de merda!