Posts de Setembro, 2007

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Doce o mar

Setembro 25, 2007

E quinta-feira eu fui pra praia, lombrar com o mar, e lombrei, lombrei gostoso. Por que o mar tem uma energia tão extraordinariamente louca, intensa, que chega a dar medo. Curiosidade. E fiquei de seis da tarde, até quase 10 da noite viajando no mar, nas ondas, no vento que ele gera, nas direções do vento que vai mudando, uma hora é leste, outra é nordeste, outra é noroeste, mas sempre o vento, forte, latente, pulsando vida marítima na minha face seca de Brasília. Brasília sem mar, coitada. Mas Maceió tem mar, e é lindo o mar daqui. Na verdade acho que mar é lindo em todo lugar, logo, desconsiderem o que acabei de falar. E fiquei lá jogado na areia, vendo o pai e o filho brincarem com o seu cachorro. Vi-os entrando no mar escuro, o cachorro atrás, e pensei que se talvez eu tivesse cachorro aqui em MAceió, eu também o levaria para tomar banho de mar. Mas não a noite, tenho medo do mar a noite. Água escura, maré alta, pode ter tubarão, raia, um zilhão de bichinhos que você nem sonha existir na terra, mas que no mar, podem dar um beliscão no seu dedo e arrancar sua unha fora. Sei lá, tenho medo mesmo a noite. De dia também, mas meio que ignoro o medo, e caio na água, me jogo na areia, e etc. A noite, eu só observo. E enquanto eu observo e penso no meu cachorro que tá lá em Brasília, e que nunca tomou banho nem de rio, coitado, imagina no mar, o pai, o filho e o cachorro, que era Pit Bull, nadam e brincam no mar noturno da Pajuçara.

Depois chega mais gente, e eu me sinto observado. De alguma forma sinto que alguém me olha, me observa. O que aquele cara de calça jeans, camiseta e coturno tá fazendo ali sentado na areia há horas escrevendo? Deve ser doido, ou turista. Nunca deve ter visto o mar, ai aproveita o pouco tempo que tem de uma semana de férias, pra escrever em frente ao mar. É, é isso. Concordam todos que me observam. É turista. E se vão andando pela areia, procurando não sei o quê, vindo não sei de onde.

Se vão, e quando me vejo sozinho, eu canto. Canto músicas de Iemanjah que eu conheço. Canto músicas de Oxum, músicas que falam da água, doce e salgada. Om show particular que cedi ao mar, como forma de agradecimento ao belíssimo espetáculo que ele vem me mostrado ultimamente. E no meio da música “É doce morrer no mar”, que é uma das músicas que eu mais gosto de cantar quando estou dentro do mar, o mar veio em minha direção, maré alta, e molhou-me todo. Cai em mim. Um susto. Por que o mar vem assim de repente na nossa direção?

 Acho que foi uma forma de aplaudir o meu canto, a minha homenagem. E molhou-me. Pingou água até no meu rosto, e na minha boca. E eu lambi a água que caiu na boca, e senti o sal. E continuei cantando, que é doce, morrer no mar, nas ondas verdes do mar.

Mas é doce? É sal? Não sei, nem queria saber naquela hora. Levantei, andei até o estacionamento, atravessei a rua, pingando água salgada, e fui pra casa.

E a pergunta continua. É doce? É sal?

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E no horário (n)(p)obre

Setembro 13, 2007

No título acima, escolha a letra entre parênteses que mais lhe aprouver paa designar o horário…

Primeira observação: Um comercial mostra o Zico, aquele famoso jogador de futebol, falando o quanto é importante lavar o pênis. Pênis sujo, é sinônimo de doença,a e até de câncer. E ele ensina e tudo. Fala que tem que abrir, puxar a pelezinha pra trás, lavar com sabão, e etc. Sem mais detalhes. E eu fiquei só pensando que porra de homens que existem por ai que não lavam a merda do próprio pau? Que tipo de homem imundo e nojento e desprezível deixa o pau sujo até criar um câncer sobre a sujeira? O pior de tudo é que se eles fizeram a propaganda, o alerta, é por que existem sim, esses homens. E eu fico realmente chocado com isso. E porra, se o imundo não lava o pau, deixa ele morrer de câncer. Quem sabe numa outra vida ele aprende. Essa é uma das coisas que me chocam no horário das 8 em diante. Mas existem outras…

 Segunda Observação: Em outro comunicado, a propaganda mostra uma mulher que mora no meio da serra pelada, em algum lugar perdido do Brasil, sem acesso à nada, ou quase nada. E essa mulher é analfabeta. E a vizinha dela também. E o marido, os filhos, o padeiro, o leiteiro, o cabeleleiro, o padre, também são analfabetos. E o lugar tem escola. Tem programa de alfabetização. E por que diabos todo mundo é analfabeto? Por que os maridos, bem desenvolvidos mentalmente que são, não deixam as esposas irem à escola, por que lugar de mulher é em casa, na cozinha e no tanque. E eles próprios não vão aprender a ler, por que deixar a mulher em casa sozinha é “perigoso” demais, se é que vocês me entendem. Bem, dispenso comentários sobre essa segunda observação. A ignorância, é vizinha da maldade. E enquanto isso, os malditos não sabem nem escrever o próprio nome, mas tem uma casinha simples, 15 filhos, e uma mulher, como uma posse de riqueza, que ninguém mais além deles podem tocar ou olhar. Triste realidade essa do horário (n)(p)obre.

 Depois, mais observações.

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Botox

Setembro 13, 2007

Tava ouvindo aqui o CD novo do Caetano Veloso “Cê”, e fiquei surpreso, e ao mesmo tempo, alheio. Caetano sempre foi ousado, nas palavras, nas ações, nos gritinhos, nos palavrões. Nada de novo, além das letras que sempre agridem quem ouve de alguma forma. A palavra que mais me chamou atenção no CD todo foi a palavra “botox”. Sim, por que isso prova que Caetano não continuou fazendo música sessentista, tá atual, tá século 21. O nome da música é Rocks, que rima com Botox de uma forma assustadoramente século 21. Rimas 21, poderiam ser conhecidas essa nova classe de rimas poéticas, se alguém as fosse nomear. E essa música foi a que mais me chamou atenção, dentre outras também muito boas. Essa Rocks, o nome já diz, não é bossa, nem é fossa, é rock. Puro, de qualidade, com a voz melosa e afinada do Caetano no fundo. E com aqueles termos que só ele sabe usar. Ouça a música quando puder, e dê o seu veredicto.

“…Tatuou um Ganesh na coxa, chegou com a boca roxa de botox, exingindo rocks…”

No final do album, aquela sensação que a voz do Caetano é realmente boa, no estilo dele, claro. É impossível rotular ou estereotipar a voz do Caetano. E é rock. É século 21. É poesia. É Caetano.

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Nada

Setembro 13, 2007

Eu agora assisto novela, fazendo críticas mentais às atuações das pessoas. Assisto propaganda e faço críticas mentais aos lixos que existem na propaganda atual. Ouço músicas e o mínimo deslize que o cantor dá, eu critico mentalmente. Aquele acorde torto, aquela desafinada no finalzinho da letra, aquela cara de não-sei-o-quê, quando a cara era pra ser de desespero. Aquela propaganda que explode na sua cara os produtos, os preços, as facilidades, as cores e luzes, explodem, e eu critico.

Os livros, as letras, as revistas que eu lia antes achando tão maravilhoas e necessárias, hoje eu critico. Faço análises profundíssimas e vãs sobre tudo e todos, sobre monumentos, quadros, comportamentos. Critico. Até chegar a mim mesmo.

Chegar no ponto de não ter mais nada pra analisar, criticar, e achar chato. Chego a mim mesmo. Agora não há controle remoto que mude o canal, a estação, não há botão de “mudo” para não ouvir o que me desagrada. Eu e eu, sozinho, e perdido dentro de mim. Tentando me analisar, me criticar profundamente. Não consigo nada. Qualquer tentativa é vã. Eu sou muito difícil de lidar, sou muito duro, muito fechado. As minhas cores não são tão brilhantes e escancaradas como as da propaganda da loja que faz financiamentos à perder de vista. A mnha voz não é tão estridente e notória quanto a de meia dúzia de cantores e cantoras que aparecem na novela das oito fazendo propaganda de Shampoo. Eu, quando me vejo sozinho, encontro o desespero de ser eu mesmo, a dor de ser eu mesmo, e a repúdia de ser eu mesmo.

Um chato, entre tantos outros. Cansado, exausto de tanta coisa que não leva a lugar nenhum. Cheio de nada. Um ser-humano pretensioso, cego, burro, mesquinho, e infinitos adjetivos negativos pela frente. Um ser-humano, um vírus, uma praga letal que por onde passa, destrói a vida e a beleza dela.

Nada se salva a mim mesmo e aos meus semelhantes.

Nada.

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Vamos brincar perto da usina…

Setembro 11, 2007

E depois de uma ida(quase frustrada) à Brasília, estou de volta à capital dos marajás e diga-se de passagem, da miséria também. Essa ida À Brasília só serviu para eu ver o tanto que eu gosto de lá, e o tanto que eu não gosto daqui.

 Tudo bem, aqui em Maceió eu me divirto, moro sozinho, altas regalias, mas não dá pra viver aqui, sabendo que há poucos 2 mil quilometros abaixo está uma cidadezinha pequena, discreta, em forma de avião, que me deixa de cabelo em pé de saudade. Apesar de ter ficado todos os dias in bsb com o nariz seco, o pulmão seco, a boca seca, tudo seco, eu percebi que não dá pra viver sem esse arzinho quase desértico de Brasília.

Quase frustrada por que não vi todo mundo que queria ver, pessos importantes e pá, e algumas que vi só me decepcionaram, me deixaram down, e etc. Enfim, é a condição do ser humano. Mas fico de cara como em tão pouco tempo as pessoas são capazes de mudar tanto. Ou será que fui eu quem mudou? Ou ficou todo mundo na mesma? Não sei…

Só queria dizer que não sei o que dizer, infeliz(mente).

 Das pessoas que eu mais queria ver e não vi, por causa das confusões mentais, das confusões com os colegas, com as saídas, foram a Flora, a Lívia, a Lorena. Pessoas importantes que não cheguei a ver, e tava com saudade.

 Por isso e por outras coisas, que precisam de organização, tô vazando pra BRasília de volta. Vou ficar aqui só mais um mês, e no meu aniversário no mês que vem pretendo estar de volta à capital da esperança. Sei não, vamos ver.

 Nada como um dia após o outro.

 E pro título não ficar perdido, eu queria dizer que ultimamente tenho tido muita inveja das crianças que vejo por ai. Pulando nas camas elásticas da vida, sorrindo, brincando, sem aditivos, sem neuroses, simples assim.

 Como eu queria voltar a ser criança, começar tudo de novo.