
Nada
Setembro 13, 2007Eu agora assisto novela, fazendo críticas mentais às atuações das pessoas. Assisto propaganda e faço críticas mentais aos lixos que existem na propaganda atual. Ouço músicas e o mínimo deslize que o cantor dá, eu critico mentalmente. Aquele acorde torto, aquela desafinada no finalzinho da letra, aquela cara de não-sei-o-quê, quando a cara era pra ser de desespero. Aquela propaganda que explode na sua cara os produtos, os preços, as facilidades, as cores e luzes, explodem, e eu critico.
Os livros, as letras, as revistas que eu lia antes achando tão maravilhoas e necessárias, hoje eu critico. Faço análises profundíssimas e vãs sobre tudo e todos, sobre monumentos, quadros, comportamentos. Critico. Até chegar a mim mesmo.
Chegar no ponto de não ter mais nada pra analisar, criticar, e achar chato. Chego a mim mesmo. Agora não há controle remoto que mude o canal, a estação, não há botão de “mudo” para não ouvir o que me desagrada. Eu e eu, sozinho, e perdido dentro de mim. Tentando me analisar, me criticar profundamente. Não consigo nada. Qualquer tentativa é vã. Eu sou muito difícil de lidar, sou muito duro, muito fechado. As minhas cores não são tão brilhantes e escancaradas como as da propaganda da loja que faz financiamentos à perder de vista. A mnha voz não é tão estridente e notória quanto a de meia dúzia de cantores e cantoras que aparecem na novela das oito fazendo propaganda de Shampoo. Eu, quando me vejo sozinho, encontro o desespero de ser eu mesmo, a dor de ser eu mesmo, e a repúdia de ser eu mesmo.
Um chato, entre tantos outros. Cansado, exausto de tanta coisa que não leva a lugar nenhum. Cheio de nada. Um ser-humano pretensioso, cego, burro, mesquinho, e infinitos adjetivos negativos pela frente. Um ser-humano, um vírus, uma praga letal que por onde passa, destrói a vida e a beleza dela.
Nada se salva a mim mesmo e aos meus semelhantes.
Nada.
Olá,
Gostaria de saber que é o autor deste texto que acabo de ler: NADA.