Posts de Fevereiro, 2008

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Edição de Corte

Fevereiro 24, 2008

Então eu escrevi um texto sobre Caos pra revista Dephot, e ele foi publicado. Dêem uma olhada no texto original, e no texto da revista. Tá um pouco diferente né?

rsrs!

Mas fico sempre feliz por poder participar de projetos como esses com pessoas tão absurdamente fodas na arte que produzem. Enfim…

O link da matéria na revista: http://www.fotoclubef508.com/?id=859

E o meu texto tá logo ali abaixo, aqui no blog mesmo.

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Aganjú

Fevereiro 15, 2008

Aganjú oba la fom
Erê,erê,erê
Alujá,paxorô,ijexá

Aganjú oba la fom
Erê,erê,erê
Alujá,paxorô,ijexá

Ijexá!

Malembá,nanauê
Malembá,badauê…

Badauê!

Malembá,nanauê
Malembá,badauê…

Ijexá,Ijexá,Ijexá!
Ijexá,Ijexá,Ijexá!

Música de Pepeu Gomes.

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Abismo Tenebroso II

Fevereiro 14, 2008

Segundo a Bíblia Sagrada, no livro de Gênesis, existiu na terra um tempo em que todos os homens falavam a mesma língua e usavam as mesmas palavras para designar e denominar tudo que desejavam. Nesse tempo, esses homens criaram uma cidade e a fortificaram, e nela colocaram o nome de Babel. Nela também resolveram construir uma torre. Essa torre deveria ser tão alta, que o seu cume chegaria aos céus. E essa cidade deveria ser lembrada sempre pela sua audácia e Vendo Deus a audácia desses homens em querer chegar aos céus, desceu pessoalmente à Terra e espalhou entre os homens a confusão. Fez com que eles não se entendessem mais, cada um falando uma língua diferente do outro. Isso gerou tantos problemas, que esses homens jamais conseguiram construir essa torre, devido a dificuldade em se comunicar uns com os outros. O projeto acabou sendo abortado, e esses homens se dispersaram pela terra. E é assim que a bíblia explica a grande quantidade de línguas faladas e escritas que existem na terra até os dias de hoje. Historicamente, Babel foi a capital do império Babilônico, sendo considerada por muitos uma das cidades mais ricas e poderosas da história da humanidade. Babel era um centro político, militar, cultural e econômico do mundo antigo, e isso gerava em alguns povos muito respeito, e em outros desconforto. Babel recebia um grande número de imigrantes de várias partes do mundo, cada um falando uma língua e trazendo costumes diferentes à Grande Cidade. Por isso Babel era considerada a capital das várias línguas. No ano de 2006, Alejandro González Iñárritu, dirigiu um filme chamado Babel, no qual mostrou como os seres humanos falam línguas diferentes e se desentendem até mesmo nos problemas mais simples. O filme mostra o caos que é gerado a partir de um fato simples e sem importância. Um criador de cabras da área rural do Marrocos compra um rifle de um compatriota e o dá aos seus filhos, para que estes atirem nos chacais, que tanto importunavam as cabras. As crianças treinam como atirar no rifle, e esse evento gera todos os fatos desencadeadores do filme. Várias histórias que se entrecruzam. Estados Unidos, México, Japão, todos interligados pelo rifle e as crianças que treinam como atirar. O filme retrata também a linguagem japonesa de sinais, e mostra como é caótica a forma com que os povos se comunicam e resolvem seus problemas. A Babel atual, mostra um mundo totalmente egoísta e despreparado para lidar com as diferenças culturais e com adversidades imprevistas. Estamos todos interligados, somos todos seres humanos, a nossa única diferença deveria ser a língua. Na prática, estamos ilhados na nossa própria ignorância e egoísmo. Na Babel bíblica, quando os homens falavam a mesma língua, e resolveram criar uma torre com propósitos egoístas e mesquinhos, para se alcançar os céus e serem lembrados como os precurssores de tal feito, Deus os puniu com a confusão de não se entenderem. Na Babel atual isso é um fato consumado. Ninguém se entende, ninguém quer ajudar o outro a resolver os seus problemas. Independente de qualquer coisa, não aprendemos a lição de Deus. Continuamos egoístas e cada vez mais mesquinhos, visando apenas nossos próprios interesses. Ao invés de chegar aos céus, caimos desenfreados por um abismo sem fim, perdidos em meio ao universo caótico das diferenças de culturas e opiniões.

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Abismo Tenebroso I

Fevereiro 14, 2008

O homem desde os primórdios de sua existência busca soluções para o seu conforto e comodidade. Carregava suas matulas nas costas e nas cabeças, mas precisava ir mais rápido, poupar tempo e esforço, e então criou a roda para ajudá-lo nesse transporte. E foi criando outras coisas. Cansado de comer usando as mãos, inventou artefatos para ajudá-lo nesse processo. Só trabalhava durante o dia, e ansiando por também poder trabalhar a noite, onde a luz era escassa, inventou a lâmpada. E assim foi atravessando os anos, os séculos, sempre em direção ao conforto, a comodidade, rumo à evolução. Tudo isso graças à criação da roda, que considero como sendo o momento de impulsão para tudo isso que vivemos hoje em dia. Foi quando o homem percebeu que podia mudar a situação, a posição, podia ir além, mais rápido. E foi além, e se criou absolutamente tudo que se podia criar. As mulheres não precisavam mais lavar as roupas na beira do rio. Em casa agora já tinha água encanada, e o homem inventou até uma máquina que lava roupas sozinha, e ainda por cima seca. As louças que também eram um problema, e criavam infortúnios e discussões dentro de casa, para saber quem iria lavar, secar e etc, também já não mais esquentavam a cabeça. Inventou uma máquina para lavar louças. E inventou o despertador, a geladeira, o telefone, o fogão automático, o microondas, o computador, e até mesmo as coisas mais malucas, que ninguém nunca precisou usar, além do criador, é claro. E por incrível que pareça, no meio de toda essa engrenagem de invenções e aparatos, está o homem. Tão pequenino e frágil, se esconde no meio dos sofás reclináveis, e das TVs de plasma digitais. Não vê mais a cara da rua. E os que ousam ver, tem que disputar lugar com os milhões de carros que são criados aos montes todos os dias. Achando os cavalos que puxavam a carruagem lentos demais para o seu desejo de velocidade, criou máquinas poderosas e rápidas para o levar para todos os lugares. Agora tem que disputar com elas um lugar ao sol na caminhada rumo à evolução. Não só com essas máquinas letais, mas também com muitas outras coisas. Olha para cima, não vê mais o céu, tanta é a fumaça negra que se produz. Olha pra baixo, vê o concreto, não tem mais terra solta, mato verde. Olha pro lado, a pista engarrafada, barulhenta, roncando e buzinando de raiva. Por que os cavalos eram lentos, tudo bem, mas ainda assim andavam mais rápido do que os carros andam hoje. Não queríamos velocidade? Raiva. Por que diabos precisamos andar quase parados? Raiva!!! Não há paciência humana nem divina que agüente tanta lentidão. E tudo que foi criado para facilitar, acabou atrapalhando, por que o nosso tão prezado espaço, a nossa tão prezada natureza, teve que ceder lugar às nossas invenções. Dormimos em camas confortabilíssimas, mas olhamos pela janela e não vemos mais a lua, o sol, somente grandes edifícios, apinhados um próximo ao outro, cada um mais alto e imponente que o outro. Transformamos a nossa selva verde, tão precária de conforto, mas por outro lado tão ampla, em uma selva de pedra, tão cheia de conforto, mas pouco original e apertada. Transformamos o orgânico em concreto. E ao invés de nos elevarmos e transcendermos diante do tempo e da evolução, caímos incessantemente nesse abismo tenebroso, ao qual chamamos de CAOS. Não há volta…A partir dessa evolução, que aqui chamarei de circular, cada vez mais arrojada em busca de conforto, surgiu o caos. Como algo que gera desconforto, pode ter sido gerado a partir de algoE assim evoluimos a nossa tecnologia, a nossa ciência, a nossa arte-cultura. Leonardo da Vinci, por exemplo, gerou idéias que mudaram a medicina, a arquitetura, a astronomia, e isso tudo pelo bem maior da comunidade e da sociedade em geral. Pessoas como ele, fizeram e fazem a diferença para que o mundo cresça e evolua. Essa evolução circular, trouxe para nós seres humanos o conforto, a segurança, a comodidade

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Odeio

Fevereiro 13, 2008

Odeio
Caetano Veloso

veio um golfinho do meio do mar roxo
veio sorrindo pra mim
hoje o sol veio vermelho como um rosto
vênus, diamante, jasmim
veio enfim o e-mail de alguém,
veio a maior cornucópia de mulheres
todas mucosas pra mim
o mar se abriu pelo meio dos prazeres
dunas de ouro e marfim
foi assim, é assim, mas assim é demais também

odeio você, odeio você, odeio você
odeio

veio um garoto do arraial do cabo
belo como um serafim
forte e feliz feito um deus, feito um diabo
veio dizendo que sim
só eu, velho, sou feio e ninguém

veio e não veio quem eu desejaria
se dependesse de mim
são paulo em cheio nas luzes da bahia
tudo de bom e ruim
era o fim, é o fim, mas o fim é demais também

odeio você, odeio você, odeio você
odeio

Música do álbum Cê de 2006.

Será que eu odeio você, ou odeio a mim mesmo por não poder te aceitar e consumir e devorar? Você, sou eu? Você sou ódio? Eu sou você? Onde está você? Só eu, velho, sou feio e ninguém. E eu odeio você, por ser eu mesmo. Eu sou você, e os meus rivais, sou só.

~*Não há amor sem ódio, e vice-versa. O mundo é bi-polar, só para que fique bem avisado.

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Não dê pérolas aos porcos

Fevereiro 12, 2008

Minha vó já dizia a minha mãe para não dar pérolas aos porcos. Voltando pra casa ontem estive pensando que nem todo mundo merece ouvir tudo que você muitas vezes tem a dizer. Pensei ainda que não se pode fazer acepção de pessoas, excluindo das conversas, ou das situações. Cheguei na conclusão que tudo bem, não se pode excluir ninguém, por pior que seja, mas também não vá falar sobre as influências planetárias, ou sobre o calendário da paz, ou até mesmo sobre teorias interessantíssimas conspiratórias para qualquer um, por que a grande maioria das pessoas estão surdas. Os porcos ao qual minha vó se referia são esses que ai estão ao seu lado, que não param para ouvir nada que fuja do seu limitado leque de interesses. Tenho percebido que até mesmo eu, que não me considero porco nem surdo, muitas vezes ouço, leio, vejo, toco as coisas superficialmente. Qual o sentido de uma vida superficial?  Geralmente dou ouvidos a quem acho interessante, inteligente. Sabe aquela coisa de sentir-se envolvido quando se está perto de uma pessoa que transpira inteligência, conhecimento, e até mesmo sabedoria, e que qualquer coisa que aquela pessoa diga, se você pudesse você anotava numa caderneta para não esquecer, de tão importante que você acha que é. Só pode ser, afinal, é “aquela” pessoa em especial que fala com você, e te dá idéias do que pode ser bom. E geralmente é bom. Vou dar um exemplo, e a partir dele vou seguir a linha do raciocínio, se é que há uma.

Bem, quando eu estava em Maceió surfando por aqueles ares, freqüentemente visitava a Universidade Federal de lá, e aproveito o momento para dizer que se você quiser conhecer pessoas extremamente interessantes, vá às Universidades Federais das cidades as quais você visita. E eu na UFAL, num dos muitos luais regados a vinho barato e cigarros, além é claro, da boa música criativa, conheci um rapaz que entre outras tantas coisas me falou de uma tal de Nina Simone, que entre outras coisas(risos), cantava a melhor versão de Ne Me Quite Pas que ele já tinha ouvido. Era melhor até que a versão da Maísa. Essa tal de Nina Simone era uma cantora excepcional que precisava ser ouvida. E eu fiquei com aquilo guardado na cabeça, já que tenho muita sede por conhecer coisas novas, e principalmente quando se trata de música. Como o rapaz mostrou ter um gosto requintado(Mutantes, Secos&Molhados, Beatles), resolvi chegar em casa e baixar a tal. Pra resumir a história, e não ficar chato, eu baixei  o álbum I Put a Spell On You, que é o tal que tem a música Ne Me Quitte Pas na melhor versão de todas, segundo o amigo alagoano. E ali no cantinho do quarto, naqueles dias em que você não quer ouvir os mesmos discos, ler os mesmos livros, coloquei na vitrola(Leia-se Winamp) o tal CD e me apaixonei de verdade, não no primeiro momento, mas até os dias de hoje, venho me apaixonando loucamente pela Nina Simone. Toda  vez que ouço um novo arrepio é sentido.

Voltando aos porcos, eu arrisco dizer que um tempo depois eu voltei pra Brasília e sai com meus amigos para alguma aventura tresloucada por esse Mundo-de-meu-Deus e coloquei a Nina pra rolar no carro. E rolou, e antes de tocar a segunda música, salvo alguns raros, a grande maioria pediu para tirar. Tira! Tira! Tira! E sempre que eu coloco ou mostro algo que eu acho muito especial para as pessoas, sejam elas minhas amigas ou não, e elas renegam, dizem que é ruim, que é pra tirar, que é pra colocar outra coisa mais “animada”, me vem na cabeça, a minha vó, os porcos, as pérolas, e tudo o mais. Como alguém pode ouvir numa brisa maior Nina Simone e pedir pra tirar antes da segunda música? Dê-se ao trabalho de conhecer porra! Deguste a novidade! Sinta-a, mastigue-a, engula, e se não gostar mesmo assim, eu te perdôo, já que se permitiu ir até o fim da experiência. Isso eu falo pra mim mesmo também, na verdade tudo que eu falo aqui, eu falo pra mim mesmo, sem sentido. E falo para que eu nunca esteja de olhos e ouvidos fechados para as coisas que tentam fluir em mim. Não quero ser um porco surdo, que enquanto alguém tenta dizer o que existe além da existência, chafurda na lama do caos. Oxalá que as palavras tenham efeitos sobre mim, sobre você, e sobre todos, que merecem as pérolas, e que estão fora da lama para usufruí-las.

 

I Put a Spell On You. Ouça essa grande genialidade da música. Nina Simone.

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Sempre a verdade

Fevereiro 6, 2008

“Mesmo se você está em uma minoria de um,

a verdade ainda é a verdade.”

Mahatma Ghandi

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Bota fé?

Fevereiro 6, 2008

Se você quer manter algo secreto das pessoas, dê a elas uma versão de realidade e possibilidades que seja tão distante do que realmente está acontecendo, que, até mesmo se a verdade vier à luz, ela parecerá absurda e extrema demais para a maioria das pessoas acreditar.

De fato, se você fizer o seu trabalho bem o bastante, as pessoas irão rir da verdade, chamá-la de insanidade, e ridicularizar qualquer um que a promova.

Isso é manipulação social, isso é manipulação religiosa, isso é tudo que esconde a verdade, e que só uma pessoa lúcida e consciente é capaz de perceber.